3ª Feira em Jardinópolis Feira da Rede de Cooperação em Jardinópolis reforça valorização do artesanato e identidade local

📍 Jardinópolis

A feira da Rede de Cooperação do Artesanato da Região Metropolitana de Ribeirão Preto passou por Jardinópolis, com edição realizada na Praça Matriz, reunindo artesãos, público e representantes do poder público. A ação integrou o calendário de circulação do projeto pela região e apresentou ao público peças desenvolvidas a partir do processo formativo realizado ao longo do ano.

O evento reuniu produções artesanais que refletem a diversidade de técnicas, materiais e histórias presentes nos municípios da região, além de fortalecer o contato direto entre artesãos e comunidade. As peças expostas fazem parte das coleções desenvolvidas pelo projeto e evidenciam o percurso de pesquisa, formação e curadoria que antecede cada feira.

Para o secretário de Cultura e Turismo de Jardinópolis, Cristiano Lelé, a realização da feira na cidade reforça a importância do artesanato como expressão cultural e ferramenta de desenvolvimento local. “Desde que assumimos a Secretaria de Cultura, buscamos valorizar o artesanato, porque é uma forma de levar o nome da cidade para a região e também de fomentar a economia local”, afirmou. Segundo ele, iniciativas como essa ajudam a romper a ideia de que municípios menores não têm o que oferecer. “Às vezes a gente acha que nunca tem nada na nossa cidade, mas é o contrário. Temos muitos profissionais, muitos artistas, e essa feira é uma prova disso.”

Cristiano também destacou o caráter de convite do evento para a comunidade. “As pessoas precisam vir prestigiar para ver o que a nossa cidade e a nossa região têm a oferecer. Nem todo mundo consegue viajar para longe, e aqui a gente encontra história, cultura e identidade muito perto de casa.” Para ele, projetos como esse contribuem para fortalecer o sentimento de pertencimento. “Cidades pequenas acabam perdendo um pouco da identidade por estarem próximas de grandes centros. Trabalhos assim ajudam a resgatar raízes, origens e valorizar tudo o que temos aqui.”

Entre as expositoras, a artesã Dalva Queira, de Jardinópolis, apresentou peças de costura criativa produzidas a partir do reuso de materiais. “A gente costuma dizer que é do lixo ao luxo”, explicou. Para ela, participar da feira representa reconhecimento e valorização. “É um momento de valorizar o nosso trabalho. As artesãs têm um dom e essa vontade de crescer, de expandir. Fiquei muito feliz de ver esse trabalho sendo valorizado aqui na cidade.”

Dalva também ressaltou a importância das feiras para quem vive do artesanato. “A gente depende de feiras e exposições, e quando esse espaço é oferecido em local público, a gente se sente valorizada.” Segundo ela, as oficinas formativas promovidas pelo projeto tiveram impacto direto no seu processo criativo. “Ajudaram muito, abriram a nossa visão. A gente aprende a se valorizar, a conhecer novas técnicas e outros artesãos.” Para a artesã, o projeto fortalece não só o trabalho, mas também a identidade cultural da região. “O interior tem muita coisa bonita para mostrar.”

A curadora do projeto, professora doutora em História da Arte Maria de Fátima Mattos, explicou que cada feira tem como principal objetivo ampliar a divulgação do trabalho desenvolvido ao longo do projeto. “A expectativa é divulgar o projeto, as peças e os artesãos. Que as pessoas se encantem, perguntem se vende, de quem é, onde faz, para que a gente possa indicar o site do Circula Aí”, afirmou. Segundo ela, participar de feiras que já acontecem nas cidades permite um contato direto com o público local. “A gente interage com quem já frequenta a feira.”

Maria de Fátima também destacou a importância de expor os resultados do processo formativo. “As peças que estão aqui são fruto de um percurso. São produtos em que o artesão se aperfeiçoou a partir das oficinas de formação.” A seleção das peças, segundo a curadora, foi feita de forma coletiva, em diálogo com Adriana Silva, observando a evolução apresentada ao longo das oficinas. “O projeto foi sendo construído aos poucos. A cada oficina, a gente observava o retorno dos artesãos, até chegar a trabalhos mais amadurecidos.”

As peças expostas na feira são únicas e integram as coleções desenvolvidas pelo projeto. Além da exposição presencial, o site Circula Aí tem papel central na continuidade do trabalho. “O site é a vitrine que o artesão precisa e muitas vezes não consegue manter sozinho. Ele permite que o artesão divulgue seu trabalho, cresça e depois caminhe com mais autonomia”, explicou Maria de Fátima.

Ao avaliar o percurso do projeto, a curadora destacou os resultados já visíveis da iniciativa. “As pessoas já reconhecem o projeto, já sabem que a gente existe. Isso é um ganho.” Para o futuro, a expectativa é dar continuidade ao trabalho por meio da captação de novos recursos. “Esse projeto não se encerra aqui. A ideia é seguir criando, juntando artesãos e desenvolvendo novas coleções.”

Com participação ativa da comunidade e forte presença de artesãos locais, a feira realizada em Jardinópolis reforçou a importância da Rede de Cooperação como espaço de valorização do artesanato, fortalecimento da identidade regional e ampliação de oportunidades de circulação, visibilidade e geração de renda.

Maria Vitória Cezario Trintim

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