Isabel Cristina Bittencourt Tritto
Onde encontrar:
Isabel Cristina Bittencourt Tritto, Bel e o reaproveitamento que vira encanto
Em Sales Oliveira, Isabel Cristina Bittencourt Tritto, conhecida como Bel e à frente do Ateliê da Bel, cresceu cercada por referências artesanais. Vem de uma família de artesãos e traz esse repertório desde a infância. Uma avó fazia bonecas de meia, a outra trabalhava com crochê, bordado e quadros, e ela mesma gostava de criar brinquedos e objetos com o que encontrava ao redor. Antes mesmo de pensar no artesanato como caminho, já inventava o próprio mundo com as mãos.
Uma das lembranças mais marcantes vem dos 11 anos, quando desenhou com lápis de cera a coleção inteira da Branca de Neve e os Sete Anões na parede dos priminhos. Os personagens tinham o tamanho das crianças, e muita gente custou a acreditar que aquela cena tinha sido criada por uma menina tão nova, a partir de um gibi. Esse episódio ajuda a explicar seu modo de fazer até hoje: olhar uma referência, reinterpretar, ampliar e transformar em algo muito seu.
Bel trabalha com madeira, fios, tecidos, linhas, tintas, pincéis, colas, papelão e muitos elementos da natureza, como sementes e folhas. Para ela, cada pessoa tem sua singularidade no criar. Mesmo quando ensina uma técnica, acredita que o resultado sempre será diferente, porque cada mão carrega um olhar próprio. Seu desejo, inclusive, é ter um espaço só seu para ensinar outras pessoas. Não vê a troca como ameaça, mas como continuidade. Quer passar adiante o que aprendeu, com amor e generosidade.
Quando está produzindo, entra em outro tempo. Ela mesma diz que se desliga, como se fosse para outra dimensão. As ideias vêm de repente, e o hábito é anotá-las no bloco de notas assim que surgem, muitas vezes logo ao acordar. Depois, tenta colocar tudo em prática no mesmo dia. Seu trabalho é feito de fases, estações e celebrações do ano, sempre atravessado por uma releitura de como foi criada. A natureza aparece com força nesse processo, tanto nos materiais quanto nos temas. Gnomos, fadinhas, bruxas e mandalas revelam também um lado mais místico, que convive naturalmente com o reaproveitamento de conchas, folhas, madeiras encontradas e tudo aquilo que, nas mãos dela, pode ganhar nova vida. Não à toa, já ganhou o apelido de “lixeira”, justamente por enxergar potencial onde outros veem descarte.
Ao longo do caminho, Bel participou de feiras em cidades como Ribeirão Preto, Jaboticabal e Sales Oliveira. Entre os trabalhos que mais a orgulham está um grande presépio feito em parceria com outra artesã, usando folhas de coqueiro, juta, cola e verniz. Foram cerca de três meses de produção para uma peça que ficou em exposição em uma chácara, aberta à visitação, e ainda ajudou a arrecadar recursos para uma ONG. É um exemplo claro de como seu trabalho une criação, memória, coletividade e transformação.
A peça que levou para a oficina também expressa bem esse universo. O móbile de corações dourados, suspenso por fios naturais, revela o cuidado com formas simples e simbólicas, tratadas com delicadeza e força visual. É um trabalho que mostra como materiais reaproveitados ou naturais podem se tornar objeto de afeto, presença e contemplação.
Onde encontrar:
- Cidade: Sales Oliveira (SP)
- WhatsApp: (16) 99101-1844
- E-mail: belbittencourt@gmail.com
- Instagram: @ateliedabel_artesanato
- Presencialmente em feiras, na FESART, na Feira Livre de Sales Oliveira e em sua casa-ateliê
Mensagem da artesã:
“Tudo pode ser reaproveitado, transformado, tudo, absolutamente tudo. Cada criação tem uma história por trás dela.”
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